segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ministério da Saúde lança campanha de combate à hanseníase

Como parte das ações que marcam o Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, o Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (14) uma campanha educativa dirigida à população e aos profissionais de saúde. Com slogan “Hanseníase tem cura”, a campanha orienta os profissionais de saúde a identificar os sinais e sintomas da doença visando o diagnóstico precoce.
A ação será concentrada em todas as capitais e nas cidades com mais de 100 mil habitantes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além da Baixada Fluminense, das regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte e do norte de Minas Gerais. Estas áreas são consideradas, pelo estados do Pará e no Maranhão.



O secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa ressalta que a campanha é de fundamental importância para conscientizar à população sobre a existência da doença e também sobre a disponibilidade do tratamento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A taxa de prevalência de hanseníase caiu 65% nos últimos 10 anos, passando de 4,33, em 2002, para 1,51 por 10 mil habitantes, em 2012. A queda é resultado das ações de combate à doença, intensificada nos últimos anos. O Brasil registrou 33.303 casos novos da doença. Em 2012, o coeficiente de detecção foi de17,17/100 mil habitantes na população em geral.  Em menores de 15 anos, o coeficiente foi de 4,81/100 mil habitantes, redução percentual acumulada de 40% na comparação com o período de 2003 (7,98/100 mil habitantes) a 2012. Cinco estados apresentam coeficiente de prevalência acima de três casos por 10 mil habitantes (Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Rondônia) e três estados a menor taxa de prevalência (Rio Grande Sul com 0,12/10 mil habitantes; Santa Catarina 0,29/10 mil e São Paulo 0,34/10 mil).

Entre as ações adotadas pelo Ministério da Saúde, também se destaca o Monitoramento para Eliminação da Hanseníase, realizado com apoio da Organização Pan-Americana/Organização Mundial da Saúde, que coletou dados em 60 municípios. Foram pesquisadas 164 unidades de saúde de todo Brasil, representando 27% da população brasileira (52,8 milhões). Os municípios selecionados foram os que apresentam maior carga da doença e concentram 60% dos casos.
Foram examinados 6.170 prontuários, realizadas 656 entrevistas com pacientes e com 279 com profissionais de saúde. No monitoramento, ficou constatado que 87,5% dos municípios brasileiros oferecem serviços de diagnóstico e tratamento para hanseníase. Também se observou na pesquisa redução da proporção de casos com grau dois de incapacidade física, de 18%, quando comparado os anos de 2007 e de 2011, demonstrando que o diagnóstico precoce está crescendo.
A ampliação da oferta de tratamento nas unidades públicas de saúde; o fortalecimento da busca ativa de casos para o diagnóstico precoce e tratamento oportuno, além do aumento da capacidade de profissionais para realizar diagnósticos também são medidas que vem sendo adotadas para a eliminação da doença. O Ministério da Saúde repassa, regularmente, a estados e municípios recursos para as ações de vigilância, prevenção e controle de doenças, inclusive para a hanseníase, por meio do Piso Financeiro de Vigilância em Saúde. Em 2013, esses recursos totalizaram R$ 1,3 bilhão.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Incor desenvolve dispositivos de assistência cardíaca para crianças

Crianças em estágios avançados de insuficiência cardíaca e na fila por um novo coração nos hospitais do país poderão receber, nos próximos anos, um coração “extra” para suportar o tempo de espera até a chegada de um doador.
Pesquisadores do Instituto do Coração (Incor) estão desenvolvendo Dispositivos de Assistência Ventricular (DAVs) capazes de servir de “ponte” enquanto os pacientes pediátricos aguardam o transplante. Um dos aparelhos, voltado a crianças com até 15 quilos, deverá entrar em fase de testes clínicos no Incor já nos próximos meses.



Outro instrumento, desenvolvido por meio de um Projeto Temático, realizado com apoio da FAPESP e direcionado a crianças com até 35 quilos, está em fase de desenvolvimento.
“Os dispositivos poderão servir tanto de ponte para pacientes pediátricos esperarem pelo transplante, como para dar assistência circulatória mecânica por alguns meses para aqueles internados com cardiomiopatias graves, que não respondem a outras terapias médicas e com uma diminuição importante da capacidade de o coração bombear sangue para órgãos vitais”, disse Idágene Cestari, diretora da Divisão de Bioengenharia do Incor e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.
Os equipamentos serão paracorpóreos (implantados fora do corpo) e auxiliarão o coração dos pacientes a realizar o bombeamento do sangue. De acordo com Cestari, é por isso que são chamados de dispositivos de assistência ventricular – e não coração “artificial”, como os que substituem e realizam a função do órgão.
“Essa é uma diferença importante dos DAVs em relação ao coração artificial, porque o coração é mantido em atividade e o dispositivo trabalha de modo a auxiliar o órgão a realizar a circulação sanguínea”, explicou.
Os dispositivos permitem dar assistência tanto ao ventrículo esquerdo como ao direito ou a ambos simultaneamente, e são constituídos por uma bomba com duas câmaras – uma de sangue e outra pneumática – ligadas a cânulas de silicone, que serão suturadas nas estruturas cardíacas e exteriorizadas na região abdominal do paciente.

À medida que o sangue do paciente preenche a câmara de sangue, um pulso de pressão é enviado para a câmara pneumática, que faz com que o sangue retorne para o paciente, realizando desta forma o trabalho do coração e restabelecendo a pressão e a circulação sanguínea.
“Só existe um dispositivo pulsátil desse tipo, aprovado para uso clínico em pacientes pediátricos nos Estados Unidos em dezembro de 2011, que é fabricado por uma empresa alemã e é inviável para nós, no Brasil, em razão de seu custo, em torno de R$ 250 mil. Pretendemos desenvolver DAVs para uso em pacientes pediátricos no Brasil que possam ser integrados à nossa prática médica”, disse Cestari.

DAV para adultos
O desenvolvimento de DAVs pediátricos foi iniciado a partir da experiência acumulada pelo Incor com o desenvolvimento de dispositivos para assistência circulatória mecânica em adultos. Em 1993 o Incor tornou-se o primeiro centro da América Latina a desenvolver e a implantar um DAV em um paciente à espera de transplante cardíaco.
Desde então, a instituição já avaliou clinicamente o uso do dispositivo com volume de injeção de até 65 mililitros de sangue por batimento em 14 pacientes, por períodos de até 42 dias de assistência.
“Esse tipo de dispositivo já é utilizado há muito tempo nos países desenvolvidos e, no Brasil, ainda estamos muito atrasados no uso desse tipo de terapia”, avaliou Cestari.
“Apesar do desenvolvimento fantástico que a cirurgia cardíaca brasileira alcançou, o que a colocou em patamares internacionais, ainda há muito que evoluir em termos de terapias de assistência circulatória”, afirmou.
Com recursos do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde, os pesquisadores da instituição pretendem realizar nos próximos meses um estudo multicêntrico, com a participação de diversos centros de atendimento à saúde cardíaca no país, para avaliar o uso desse tipo de dispositivo em 30 pacientes adultos.
A ideia é ter, no final do estudo, um protocolo sistematizado que possibilite a implementação e o uso desse equipamento nacional em centros de atendimento à saúde que possuem programas de transplante do coração consolidados.
“Em alguns centros de atendimento à saúde no Brasil já são usados esporadicamente dispositivos para assistência circulatória mecânica importados por pacientes particulares ou que tiveram as despesas de uso pagas pelo convênio médico”, disse Cestari.
“Nosso objetivo é transferir a tecnologia do aparelho que desenvolvemos e sobre a qual temos duas patentes para uma empresa brasileira, a fim de barateá-lo e disseminar seu uso em um maior número de centros no país”, ressaltou.

Recém-nascidos
Segundo Cestari, o Incor é o maior centro de transplante pediátrico da América Latina e no dia a dia da instituição constatou-se que há uma grande demanda por esse tipo de dispositivo para crianças.
A fim de atender a essa necessidade, os pesquisadores desenvolveram primeiramente um dispositivo com volume de injeção de 15 mililitros de sangue por batimento para crianças recém-nascidas ou com até 15 quilos.
O equipamento já passou pela fase de testes pré-clínicos (em animais) e em breve deverá ser avaliado em pacientes atendidos no Incor, após a aprovação do comitê de ética da instituição. Agora, os pesquisadores iniciaram o desenvolvimento de outro dispositivo voltado para crianças com até 35 quilos.
Em razão dos diferentes desafios técnicos e tecnológicos envolvidos, o projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas e instituições, como a Escola Politécnica (Poli), o Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, além de pesquisadores do PennState Hershey Pediatric Cardiovascular Center da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, do Imperial College, do Reino Unido, e do Fraunhofer Institut IWS, em Dresden, na Alemanha.
“Estamos buscando soluções de grande complexidade no projeto dessa bomba, que demandam abordagem multidisciplinar e integrada”, afirmou Cestari.
De acordo com a pesquisadora, os desafios para o desenvolvimento de DAVs para uso em crianças são muito maiores e mais complexos do que os que enfrentaram na construção do dispositivo para adultos. Isso porque o coração de uma criança bombeia menos sangue, mas com frequência maior de batimentos em comparação com o de um adulto.
Essa frequência maior de batimentos cardíacos faz com que o número de vezes por minuto que a câmara de sangue do dispositivo pediátrico é preenchida seja maior do que a de um DAV para adulto, resultando em um padrão complexo de escoamento do sangue.
“As hemácias não podem escoar dentro da câmara de sangue em velocidades muito altas ou serem submetidas a estresses elevados por períodos prolongados porque se rompem e liberam hemoglobina, o que pode comprometer a função do rim”, explicou.
“Também são necessários estudos criteriosos acerca do material utilizado, que deve ser biocompatível, de modo a não favorecer a formação de trombos [pequenos coágulos]”, afirmou.
Segundo Cestari, parte dos materiais utilizados nos dispositivos são nacionais e estão sendo desenvolvidos em parceria com indústrias brasileiras como a Biocardio, que fabrica válvulas de pericárdio bovino, ou por grupos de pesquisa como o Instituto de Química da USP, que desenvolveu polímeros de óleo vegetal.
Por sua vez, pesquisadores do Núcleo de Dinâmica e Fluidos (NDF) da Poli estão desenvolvendo uma metodologia para otimização do escoamento do sangue que associa modelagem matemática e visualização tridimensional.
Já a equipe de pesquisadores da bioengenharia do Incor estuda processos para modificar as superfícies de contato do dispositivo com o sangue por meio da introdução de grupamentos químicos e elementos topográficos na escala micro e submicrométrica.
No final do projeto, o grupo de cirurgia pediátrica do Incor irá validar os dispositivos e elaborar o protocolo para sua avaliação na prática clínica.
“Integramos os diferentes grupos de pesquisadores e buscamos utilizar materiais, processos de desenvolvimento e produção que possam ser absorvidos pela indústria brasileira, e desenvolver dispositivos com custos compatíveis com a política de ressarcimento do SUS [Sistema Único de Saúde]”, disse Cestari.
Na avaliação da pesquisadora, além de contribuir para a implantação desse tipo de terapia praticamente inexistente no país, o desenvolvimento dos DAVs pediátricos deverá contribuir para aumentar as chances de realização de transplante cardíaco de crianças que aguardam na fila de espera por um doador. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ministério da Saúde oferece capacitação para farmacêuticos na Atenção Primária à Saúde

Estão abertas as inscrições para o curso “Farmacêuticos na Atenção Primária à Saúde: Trabalhando em Rede”, fruto de uma parceria entre Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no âmbito do SUS (Qualifar SUS), e a Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


O objetivo da capacitação é qualificar técnica e humanisticamente o profissional farmacêutico para atuar na Atenção Primária em Saúde, desenvolvendo com competência as atividades de núcleo e de campo, pautadas nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). O curso é gratuito e envolve etapa presencial e a distância. A proposta de trabalho é baseada na problematização de situações cotidianas do profissional farmacêutico que se ramificarão ao longo dos módulos. A carga horária total do curso é de 350 horas e 200 vagas serão oferecidas nesta edição.

“A Política Nacional de Assistência Farmacêutica, como parte integrante da Política Nacional de Saúde, reforça a inserção do farmacêutico no SUS, propondo ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde. Isso passa também passa pelo medicamento, como insumo essencial, visando o acesso e seu uso racional, de forma integrada à equipe de saúde, por isso queremos capacitar especialmente farmacêuticos que trabalham nos Nasf’s (Núcleo de Apoio à Saúde da Família)”, explica José Miguel do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde.

As inscrições estão abertas até o dia 31 de janeiro no site: http://www.ufrgs.br/farmacia

 
FonteComunicação DAF/SCTIE/MS - Blog da Saúde

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pesquisa pode ajudar a prevenir lesão em atletas de alto rendimento

A dor – seja ela causada por treinamento intensivo, lesão, afastamento da família ou eliminação de uma prova importante – é algo com que atletas de alto rendimento têm de lidar no dia a dia da carreira.
Uma pesquisa feita na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) mostrou que o perfil de personalidade do esportista influencia não apenas sua percepção da dor como também a forma com que ele a enfrenta – e isso pode ser tão importante quanto a habilidade física na trajetória para o sucesso.


“Diante da dificuldade de discriminar o limite de suas habilidades e as diferentes formas de dor, o atleta se depara com a possibilidade de lesões. Essa pesquisa tem um caráter preventivo importante. Adaptamos uma metodologia que poderá oferecer indicadores para que a equipe técnica e os profissionais de saúde consigam compreender melhor a queixa do atleta no sentido de identificar quando ele chegou ao seu limite antes que se lesione”, disse a professora Katia Rubio, coordenadora do estudo apoiado pela FAPESP.
O trabalho é fruto de um projeto anterior, intitulado “Memórias olímpicas por atletas olímpicos” e também coordenado por Rubio. O objetivo inicial do estudo com atletas olímpicos, que ainda está em andamento, era relatar as histórias de vida de todos os brasileiros que já participaram do principal evento esportivo do mundo.
“A questão da dor aparecia com muita frequência na fala dos atletas, mesmo quando não perguntávamos sobre o tema. Já quando questionados sobre a dor em suas vidas, a maioria dizia não haver carreira esportiva sem dor. Para alguns, sentir dor no fim de uma sessão de treinamento era a indicação de um bom dia de trabalho”, contou Rubio.
As entrevistas realizadas durante o projeto deram origem ao livro Atletas do Brasil Olímpico(Editora Kazuá), recém-lançado. A obra traz um capítulo dedicado exclusivamente à questão da dor, que conta histórias como a da ginasta Soraya Carvalho, impedida no último momento de participar dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, por uma fratura provocada pelo treinamento excessivo.
“Eu dizia que estava sentindo dores, mas achavam que eu estava reclamando para ganhar descanso, uma vez que o ritmo de treinamentos estava muito intenso. Minha queixa não foi levada a sério [pela equipe técnica] e isso me custou os Jogos Olímpicos”, disse Carvalho no livro.
Há ainda exemplos de atletas com tendência a ignorar os sinais de alerta da dor e a desafiar os limites do organismo em nome do objetivo esportivo, como é o caso do corredor Joaquim Cruz. O atleta sofreu diversas lesões em decorrência do treinamento feito durante anos com tênis e pista inadequados. Na entrevista concedida a Rubio, Cruz relembra as estratégias mentais que desenvolveu para enfrentar a dor e que lhe permitiram ganhar duas medalhas olímpicas – ouro nos jogos de Los Angeles, em 1984, e prata nos de Seul, em 1988.
“Antes dos Jogos Olímpicos de Seul eu tinha passado por uma cirurgia e coloquei na minha mente que tudo ia dar certo e deu certo. Muitas pessoas me falaram que, uma vez operado, você nunca é o mesmo. Isso não me tocava e, para sair daquele clima, eu pensava ‘se isso que estão me dizendo é verdade, não será no meu caso. Eu sou diferente e vou superar’”, contou Cruz.
Para entender mais profundamente as dimensões da dor na vida de atletas profissionais, o grupo de Rubio avaliou 216 competidores brasileiros de nível olímpico atuantes em sete modalidades: atletismo, basquete, futebol, handebol, rugby, tênis de mesa e voleibol.
Todos responderam a um questionário conhecido como Inventário da Dor para o Esporte – originalmente desenvolvido por pesquisadores norte- americanos e adaptado para a realidade brasileira pela equipe de Rubio.
“Em uma etapa piloto do projeto, utilizamos escalas da psicologia hospitalar para a avaliação da dor, mas percebemos que os instrumentos usados na população comum não são viáveis no esporte, pois os atletas são muito mais resistentes à dor. Tivemos de adaptar uma escala específica”, contou Rubio.
Para mensurar o quanto a percepção da dor está relacionada ao perfil psicológico, os pesquisadores usaram um modelo bastante conhecido na área de Psicologia como Bateria Fatorial de Personalidade (BFP). Também foi realizado um estudo qualitativo, no qual entrevistas mais aprofundadas foram feitas com parte da amostra. Parte dos resultados foi divulgada em artigo publicado na Revista Brasileira de Psicologia do Esporte.
“No início, trabalhamos com a hipótese de que haveria dois grandes tipos de dor: aquela relacionada ao treinamento – uma dor habitual e até prazerosa – e a dor da lesão – sobre a qual o atleta não tem controle e que gera um profundo temor, pois coloca em risco a longevidade de sua carreira e a continuidade de patrocínios. Depois incorporamos outras dimensões da dor, como a dor do corte, da saudade da família, da derrota e do esquecimento, que surge no momento em que se faz a transição de carreira”, contou Rubio.
Modelos de enfrentamento
O Inventário para a Dor no Esporte trabalha com cinco subescalas: enfrentamento direto, enfrentamento cognitivo, catastrofização, evitamento e consciência corporal. A soma dos resultados de cada uma das subescalas indica o modelo de enfrentamento da dor de cada indivíduo, explicou Rubio.
Atletas com altos níveis de ‘catastrofização’, por exemplo, tendem a se desesperar diante da lesão e adotam uma postura pessimista. “Eles acham que tudo vai dar errado e isso se reflete no engajamento à fisioterapia. Provavelmente, o período de reabilitação será muito mais longo nesses casos. Por isso é importante um trabalho de psicologia para tentar trazer esse indivíduo para um perspectiva mais otimista”, afirmou Rubio.
Já os atletas com altos níveis de ‘evitamento’ tornam-se menos competitivos quando lesionados, pois tendem a se poupar para evitar a dor. Aqueles com alta pontuação em ‘enfrentamento direto’, ao contrário, tendem a ignorar a dor e a interpretá-la como parte da competição.
“Na parte qualitativa da pesquisa levantamos a história de um atleta que chegou a competir com fraturas. Ele conta que continuou competindo como se nada tivesse acontecido, pois para ele era muito importante o resultado”, contou Rubio.
Os atletas com maior pontuação na subescala ‘consciência corporal’ são aqueles que conseguem perceber os sinais do corpo, como é o caso relatado pela jogadora de voleibol Ana Richa, que atuou primeiro no vôlei de quadra e, depois, no de praia.
“Fomos cobaias das teorias de treinamento. Experimentaram tudo com a gente: a escola japonesa, a russa, a cubana... Eu sabia até onde podia chegar, respeitava meu corpo. Mandavam a gente ir até o limite. Talvez meu corpo seja privilegiado, talvez eu tenha me poupado. O fato é que eu estou aqui, inteira, mas muitas das minhas colegas não estão nessas mesmas condições”, contou Richa no livro.
Por último, há os atletas com altos níveis de ‘enfrentamento cognitivo’, que usam técnicas mentais para manter o foco na tarefa a ser desempenhada, seja o treinamento ou a fisioterapia. “É aquele sujeito que conversa com a dor e também aquele que vai para a internet pegar todas as informações possíveis sobre seu quadro para discutir com a equipe qual é a melhor atitude a ser tomada”, contou Rubio.
Na avaliação da pesquisadora, esse conhecimento sobre o perfil de enfrentamento da dor de cada atleta abre a possibilidade de realizar intervenções mais efetivas – tanto do ponto de vista preventivo como de reabilitação.
“A ideia é aprimorar os instrumentos que usamos na pesquisa para serem aplicados no cotidiano do esporte, colaborando para um programa de prevenção. Os resultados nos permite ainda levantar hipóteses para futuros estudos que ajudem, por exemplo, identificar o perfil de atleta propenso a usar doping”, afirmou Rubio.

Por Karina Toledo

Fonte: Agência FAPESP